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NEGÓCIOS

Empresa dos filhos de Tarcísio vira alvo de questionamentos antes de debate eleitoral

Negócio envolvendo empresário baiano ganhou espaço nos bastidores da disputa em São Paulo, mas governador nega irregularidades

13/08/2026 09h00
Por: Farani Jabor
FOTO/REPRODUÇÃO
FOTO/REPRODUÇÃO

Os negócios envolvendo os filhos do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ganharam repercussão nos bastidores da disputa pelo Governo de São Paulo. O assunto veio à tona poucos dias antes do primeiro debate entre Tarcísio e Fernando Haddad (PT), mas acabou não sendo explorado pelo petista durante o confronto.

Matheus e Letícia de Freitas abriram, em fevereiro deste ano, a Ferreira de Freitas Participações, registrada em Barueri, na Grande São Paulo. A empresa foi criada com capital social de R$ 10 mil e tem entre suas atividades a consultoria empresarial e a intermediação de negócios.

Um dos pontos que chamou atenção foi o endereço utilizado inicialmente pela empresa, localizado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. As informações foram divulgadas pelo site Metrópoles e posteriormente repercutiram no cenário político.

Em junho, a empresa dos filhos do governador passou a ser sócia da RB Par Ltda., companhia de consultoria empresarial sediada em Lauro de Freitas, na Bahia. Da sociedade surgiu a BR Invest Participações Ltda., com capital social de R$ 60 mil dividido igualmente entre os sócios.

Matheus Ferreira de Freitas e Rodrigo Barbosa de Sousa aparecem como administradores da nova empresa.

Relação com empresário baiano

A parceria aproximou os filhos de Tarcísio da família de Rodrigo Barbosa de Sousa, que atua no setor de consultoria e recuperação de créditos tributários.

O pai do empresário, Luciano Santos de Sousa, foi subsecretário da Fazenda da Bahia no final da década de 1990 e atualmente controla as empresas Lex Tax e All Tax.

A Lex Tax atua na área de recuperação de créditos tributários, enquanto a All Tax oferece soluções tecnológicas relacionadas ao planejamento e gerenciamento tributário.

Segundo dados da Secretaria da Fazenda, grupos econômicos dos setores de energia e proteína animal receberam mais de R$ 680 milhões em créditos outorgados de ICMS em São Paulo entre 2023 e 2025.

Os dados levaram integrantes do PT a questionarem uma possível relação entre empresas beneficiadas por incentivos fiscais paulistas e os negócios dos filhos do governador. Entretanto, não há confirmação de que empresas beneficiadas pelos créditos fiscais sejam clientes dos filhos de Tarcísio.

Tarcísio nega conflito de interesses

Luciano Santos de Sousa negou qualquer relação entre as atividades de suas empresas e os benefícios fiscais concedidos pelo governo paulista. Segundo ele, a All Tax trabalha com desenvolvimento de softwares e não presta consultoria tributária.

O empresário também afirmou que a Lex Tax presta serviços na área tributária, mas não possui clientes em São Paulo ou empresas que contribuam com o ICMS paulista.

Tarcísio também rejeitou qualquer irregularidade e afirmou que as atividades empresariais dos filhos não possuem relação com a administração estadual.

Em nota, o governador criticou o que classificou como tentativa de associar as atividades privadas dos filhos às ações do governo de São Paulo.

Haddad decidiu não levar assunto ao debate

O caso ganhou força justamente às vésperas do primeiro debate entre Tarcísio e Haddad. Segundo a reportagem, integrantes do PT tentaram convencer o candidato a utilizar o assunto durante o confronto.

Haddad, entretanto, optou por não explorar o episódio. Durante o debate, o petista concentrou os ataques nas relações políticas de Tarcísio com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Após o encontro, integrantes do PT avaliaram que Haddad poderia ter provocado maior desgaste ao governador caso tivesse utilizado o episódio.

Antes do debate, ao ser questionado sobre o caso, Haddad teria feito uma comparação com as investigações envolvendo seu irmão, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O episódio permanece no centro das discussões políticas em São Paulo, mas as acusações de eventual conflito de interesses não foram comprovadas.

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