
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir a visita dos filhos de Jair Bolsonaro ao ex-presidente no Dia dos Pais provocou críticas nos bastidores entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo informações do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, integrantes do entorno de Lula avaliam que a medida pode acabar fortalecendo o discurso de “vitimismo” adotado pelo grupo político ligado a Bolsonaro e, consequentemente, favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
A avaliação entre os lulistas é de que a decisão criou mais um episódio que pode ser explorado politicamente pelos bolsonaristas contra o STF, alimentando a narrativa de perseguição ao ex-presidente.
Um auxiliar direto de Lula, ouvido sob reserva pelo Metrópoles, criticou a decisão. “Isso não me parece humano. Deixava visitar no Dia dos Pais. Pelo amor de Deus”, afirmou.
Moraes negou o pedido apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro para que ele recebesse a visita dos filhos Flávio, Carlos e Jair Renan no domingo (9), Dia dos Pais.
O ministro considerou o pedido prejudicado diante de uma decisão anterior que havia suspendido temporariamente as visitas ao ex-presidente. A restrição permite apenas exceções, como atendimentos médicos, sessões de fisioterapia e encontros com advogados.
Após a decisão, Flávio Bolsonaro criticou Moraes nas redes sociais e afirmou que a medida restringiria a liberdade do pai.
“Moraes proibiu a mim e aos meus irmãos de visitarmos nosso pai justamente no Dia dos Pais. Tiraram a liberdade dele. Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos. Isso tem dia e hora para acabar!”, declarou o senador.
A decisão ocorre em meio ao cenário eleitoral de 2026, no qual Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência. Para aliados de Lula, a restrição imposta por Moraes pode acabar produzindo efeito político contrário ao pretendido e ampliar a mobilização do grupo bolsonarista.
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